O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por decisão do ministro André Mendonça, ampliou uma crise que já vinha se formando dentro do Supremo Tribunal Federal desde o início de setembro.
Crise no STF se amplia após afastamento de Andrei Rodrigues; veja a sequência dos fatos
Disputa que começou com documentos do caso Banco Master passou a envolver Moraes, Mendonça, a direção da PF, a AGU e a Segunda Turma do Supremo.
Por Redação POB
Publicado em 09/09/2026 • 08:20 · atualizado em 09/09/2026 • 08:20
Em poucos dias, documentos do caso Banco Master deram origem a acusações sobre a atuação de ministros, relatórios de inteligência foram tornados públicos, a cúpula da PF foi afastada e a Segunda Turma do STF abriu um julgamento extraordinário.
1º de setembro: sigilo de material do Master é retirado
A tensão ganhou força quando Mendonça retirou o sigilo de material relacionado às investigações do Banco Master. Entre os documentos havia mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e referências a integrantes de instituições públicas.
Segundo CNN Brasil, g1 e O Globo, o conteúdo gerou questionamentos sobre contatos e menções a autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
3 de setembro: relatórios da PF questionam atuação de Mendonça
Dias depois, relatórios de inteligência da Polícia Federal foram citados em decisões de Moraes. O g1 informou que a PF registrou dúvidas sobre diligências determinadas por Mendonça e sobre o alcance de pedidos relacionados a pessoas com prerrogativa de foro.
Esses documentos passaram a ser usados para sustentar questionamentos sobre possíveis irregularidades na condução das investigações.
Mendonça reage e fala em monitoramento ilegal
Mendonça respondeu afirmando que os relatórios representavam uma forma de monitoramento indevido de sua atuação. Na decisão de 8 de setembro, o ministro disse que ao menos seis documentos produzidos entre 3 e 31 de agosto analisaram suas decisões, relações institucionais e possíveis motivações.
O ministro classificou a situação como grave e determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, responsável pela área de Inteligência da PF.
Corregedoria recebe ordem de investigar
Além do afastamento, Mendonça mandou a Corregedoria da Polícia Federal abrir procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar. A apuração deverá identificar responsáveis pela produção dos relatórios e esclarecer sua finalidade.
Também foi determinada a suspensão de relatórios destinados a analisar a atuação funcional de determinadas autoridades e agentes públicos, nos termos da decisão.
Segunda Turma forma maioria
Mendonça pediu que a própria Segunda Turma do STF analisasse rapidamente a cautelar. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator, formando maioria de três votos pela manutenção do afastamento.
Gilmar Mendes, no entanto, pediu vista. Mais tarde, afirmou que é necessário avaliar se a Segunda Turma é o órgão adequado para decidir o caso ou se a matéria deveria ser levada ao plenário do Supremo.
Governo e PF reagem
A Advocacia-Geral da União prepara recurso e deverá sustentar que a decisão alcançou competência da Presidência da República relacionada à direção da Polícia Federal.
Dentro da corporação, diretores divulgaram nota de apoio a Andrei e Leandro. Com a cautelar em vigor, o diretor-executivo William Murad assumiu interinamente a chefia da PF.
O que está em jogo
O caso reúne quatro debates diferentes: a legalidade dos relatórios de inteligência, os limites da atuação de um relator do STF, a autonomia funcional da Polícia Federal e a competência para afastar o diretor-geral da corporação.
Há ainda um componente processual importante. Gilmar Mendes apontou a possibilidade de levar a discussão ao plenário, o que ampliaria o número de ministros chamados a decidir sobre a cautelar.
Não há, até o momento, decisão definitiva sobre responsabilidade de Andrei Rodrigues, Leandro Almada ou André Mendonça nas acusações em discussão. O afastamento é preventivo, e as alegações apresentadas pelas diferentes instituições ainda serão objeto de apuração e julgamento.
O que acompanhar agora
Os próximos movimentos devem ocorrer no recurso da AGU, no retorno do pedido de vista ao julgamento, nas investigações da Corregedoria da PF e em eventual discussão sobre a competência do plenário.
A crise, portanto, segue aberta. O episódio já produziu mudanças no comando da Polícia Federal e expôs uma divergência rara e pública entre integrantes do STF e a direção de uma das principais instituições de investigação do país.
Fontes consultadas
CNN Brasil, g1, SBT News, Pleno.News, Agência Brasil e O Globo, em reportagens publicadas entre 1º e 8 de setembro de 2026.
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